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Conseqüências do uso do computador em projetos gráficos.

A história das artes gráficas mostra que a criação de imagens e a composição dos elementos com o objetivo de serem impressos, no princípio eram parte integrante do trabalho dos impressores. A técnica, desde o inicio influenciou o resultado final do impresso e vice-versa. Nos primórdios, imprimir era um procedimento artístico, ou pelo menos artesanal, dando origem ao termo Artes Gráficas. Atualmente, os processos gráficos fazem mais uso da tecnologia do que do "artesanal" ou "artístico" propriamente dito. O processo, atualmente, é separado e cada profissional faz sua etapa e sua criação do trabalho, o designer, dificilmente tem contato com o impressor e vice-versa.

No passado, o processo criativo realizado em sintonia com o processo de impressão ou feito por um só ou poucos profissionais, hoje em dia, é mediado pelo computador e cria um distanciamento entre os profissionais da cadeia produtiva. Esse distanciamento de contato entre o designer e o impressor que a modernidade trouxe contribuiu para a perda de "alma" dos projetos. Isso somando com a facilidade de manipulação dos softwares gráficos, em que profissionais estudantes e curiosos interessados em praticar linguagens de expressão visual, normalmente, acham que a única solução criativa para seus projetos pode estar nos softwares gráficos. Acabam criando uma estética estabelecida e pré-programada pelos softwares, por exemplo, degrades, sombras e efeitos. Ou seja, os efeitos e pirotecnias são aplicados nos elementos gráficos, antes dos princípios básicos de comunicação visual, ocasionando projetos com diversas falhas de comunicação. A experimentação visual e a integração entre o processo analógico e digital, tão importante para a criação de peças exclusivas, funcionais e diferenciadas, acaba muitas vezes ignorada pela rapidez de conclusão do projeto ou pela supremacia da aplicação da linguagem digital.

Nada contra os softwares e suas infinidades de recursos. O problema fica por conta dos efeitos padronizados deixando os trabalhos com cara do software ao invés de assumir uma linguagem única de acordo com a proposta de comunicação. A evolução dos processos gráficos e o aumento das possibilidades de expressão visual por meio da manipulação de imagens digitais e a "maneira de pensar do computador" formou a ditadura dos projetos "default". Default são arquivos pré-prontos pelos softwares ou configurações pré-estabelecidas pelo mesmo que são usados pelos usuários, formando projetos gráficos com visuais parecidos.

O grande problema em se trabalhar com softwares gráficos reside no fato de que as pessoas acham que o computador resolve tudo e muitas vezes o projeto de uma peça gráfica peca pela falta de metodologia, criatividade, experimentação visual e observamos uma enxurrada de trabalhos com linguagens semelhantes. Muitas vezes os designers criam sem antes realizar uma pesquisa sobre o que já foi feito de semelhante ao que se quer projetar, sem saber o público alvo e sem ter definido a exata função do projeto. Em alguns casos, a pessoa responsável por criar o projeto não tem noção de como funcionam os processos gráficos onde a sua peça será manipulada para a impressão, dificultando a criação de projetos eficientes.

Esta postura, ditada pela falta de metodologia e pelas facilidades dos softwares, leva o profissional da área de criação gráfica a partir do zero, retraçando a experiência necessária para projetar melhor. Ou em muitos casos, os projetos acabam virando colchas de retalhos, onde se aproveita uma ilustração pré-pronta (clip art), um estilo de diagramação, um efeito pré-programado e o projeto é finalizado sem maiores reflexões a respeito da sua funcionalidade e particularização estética. Assim, muitas vezes, imagina-se que foi produzindo um trabalho "criativo". Na verdade, na maioria dos casos, esses profissionais terão de fazer muitos esforços para compreender que certas coisas são feitas antes e outras depois. Desperdiçarão muito tempo corrigindo erros que não teriam cometido se tivessem seguido um método de projeto já experimentado. Criatividade não significa improvisação sem métodos. Dessa maneira só se cria confusão.

Os profissionais da área de design gráfico devem alcançar uma disciplina profissional e desenvolver peças compatíveis com o seu público alvo, objetivando um visual diferenciado, objetivo de comunicação eficiente e que estabeleçam uma relação de aproveitamento das potencialidades na cadeia de produção gráfica. Afinal, um produto gráfico deve ser produzido levando em conta os valores de forma e função, não para o usuário final, como também para se adequar aos meios produtivos e aproveitamento de matérias primas na cadeia produtiva. Os projetos podem e devem contribuir para um mundo melhor. Não basta apenas ser criativo e bonitinho. Essa consciência só poderá brotar no profissional que estuda o meio em que atua e que desenvolve familiaridade com a cadeia de produção gráfica; do contrário encontrará grandes dificuldades no trabalho que escolheu. Por isso, é bom fazer uma distinção imediata entre o designer profissional, que tem um método de projeto por meio do qual seu trabalho é realizado com precisão e segurança, forma aliada a função, objetivos de comunicação definidos e sem perda de tempo. E o designer romântico, que tem uma idéia "genial" e que procura forçar a técnica de produção, para realizar algo extremamente dificultoso, dispendioso e pouco prático, mas que no seu entender é belo, muitas vezes não realiza um trabalho criativo e muito menos funcional.

Por: Gustavo Lassala.

 
 

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